ARTIGO #01
7 FASES DA METODOLOGIA DO NAMING

Está a pensar em criar uma marca, um serviço ou um produto? Então leia este artigo, poderá ser decisivo para o sucesso do seu projeto.


As 7 Fases da Metodologia de naming



No meu último post (parte1), escrevi sobre as 10 regras de “ouro” que devem de ser aplicadas num projeto de naming. Hoje, vou escrever sobre a metodologia que utilizo para criar nomes para marcas/serviços/produtos.

Uma metodologia é um conjunto de fases que definem as etapas a seguir num determinado processo. Esta que apresento não tem uma estrutura rígida (podem ser acrescentadas mais fases) mas ajuda-nos a seguir os passos mais importantes com a finalidade de atingir o objectivo.




1- INVESTIGAÇÃO

A pesquisa deverá ser fundamentada em todos os aspectos relacionados com a empresa, marca, cliente, produto ou serviço e ser sempre o mais completa possível:

a) História, missão e valores;
b) Factores culturais e geográficos;
c) Objectivos;
d) Público-alvo – género, idade, classe social, localização geográfica…;
e) Concorrência – direta e indireta;
f) Tendências globais do mercado nacional/internacional;
g) Posicionamento;
h) Comunicação;
i) Distribuição;
j) Publicidades anteriores;
k) Análise e conclusão de toda a investigação.




2- BRAINSTORMING

Depois de analisar e concluir a investigação – “duas cabeças pensam melhor que uma” – se forem cinco cabeças a pensar podemos obter resultados bem melhores. Antes de dar início ao brainstorming devemos de introduzir as 10 regras de “ouro” para a criação de nomes a título informativo e não restritivo. Durante o brainstorming, os resultados devem de ser apontados e relacionados entre si. Caso seja possível, neste ponto é importante a participação do cliente para que ele se sinta parte do processo.




3 – FILTRAGEM/SHORTLIST

Neste ponto, faz-se uma lista de 20 nomes resultantes do brainstorming que obedeçam às 10 regras de “ouro” abordadas anteriormente. De seguida, reduzimos esta lista para metade, restando apenas os “10 +”. Por vezes a dificuldade maior é chegar a um consenso com todos os elementos da equipa mas não podemos esquecer o bom-senso!

Devemos de pesquisar se estes 10 nomes resultantes da filtragem já estão a ser utilizados (a internet poderá ser uma grande ajuda). Selecionar nomes quase idênticos a outros já utilizados também não é positivo. Escreva os nomes com tipos de lettering diferentes para tentar entender se há espaços brancos indesejáveis ou se a sua conjugação gráfica poderá causar dificuldades de leitura no nome. Experimente em caixa-alta e caixa-baixa.

Outro exercício que pode ser feito é a repetição em voz alta e “radiofónica” do nome de maneira a entender como resulta quando for projetado na rádio ou na televisão. Caso uma criança de 4 ou 5 anos consiga pronunciar o nome, não haverá dificuldades do nosso público-alvo o prenunciar.

Experimente mais uma vez com pessoas de idade avançada…e atenção aos estrangeirismos! Tudo está dependente do público-alvo a atingir. Verifique como fica o domínio web e se está disponível para os “10 +”. Veja em .com, .pt, .br, .eu, .org, etc… e faça um levantamento das várias possibilidades. Evite utilizar: hífen, underscore, palavras compridas, caracteres repetidos…

Para transmitir uma noção mais precisa do potencial de cada nome, escolha para cada um dos “10 +” algumas imagens que ilustrem a atitude e a respectiva personalidade do nome. Este exercício pode ajudar a visualizar melhor as potencialidades do nome.




4 – SONDAGEM – FOCUS GROUPS

Esta sondagem pode ser feita através de um inquérito direcionado a um público-alvo específico.

Por exemplo: uma nova marca de pranchas de surf não poderá basear-se em inquéritos ou testes realizados a senhoras dos 60 aos 70 anos que nunca foram à praia. No entanto podemos testar quais os nomes que elas conseguem ler corretamente! Depois de uma breve introdução ao objectivo do inquérito/teste, solicitamos ao inquirido que numere os “10+” por ordem de preferência tendo em conta o gosto/funcionalidade/adequação.

O inquérito ou teste deve de ser construído a pensar no futuro, consoante a necessidade que o nosso cliente tenha em conhecer o seu público-alvo em determinados aspectos. Uma vez que estamos a elaborar um inquérito, abordamos questões que nos facultarão informações importantíssimas para utilizar posteriormente na criação da nossa marca, como por exemplo “a cor preferida”, “canal de TV de eleição” etc …

Para esta sondagem quanto maior for a amostra (quantidade de pessoas inquiridas/testadas), mais fidedigno será o resultado.




5 – ANÁLISE DE RESULTADOS

Neste ponto construímos uma base de dados com todas as variáveis. Depois de introduzirmos todos os inquéritos na base de dados, é altura de criar a nossa conclusão relacionando as variáveis entre si. Desta forma é possível realizar gráficos comparativos, e separar os resultados por sexo, idades, nomes preferidos, cores preferidas, rádios mais ouvidas, locais que frequentam … etc.

Esta análise de resultados vai fundamentar a opção dos 3 nomes preferidos pelo público-alvo que serão apresentados ao cliente no próximo ponto.

Como ferramenta de trabalho nesta situação poderá por exemplo utilizar o google forms, basta ter uma conta gmail associada e construir o formulário de inquérito com os campos que pretende que os utilizadores respondam, estes podem ser convidado a responder via e-mail, via redes sociais ou de outra forma que achar mais conveniente.




6 – APRESENTAÇÃO AO CLIENTE

Depois da análise aos resultados, apresentamos todo o nosso processo ao cliente, para que ele entenda quais os nomes que tiveram mais sucesso junto do nosso público-alvo. Independentemente de toda a nossa investigação/fundamentação/conclusão o cliente poderá sempre decidir não utilizar os nomes mais votados pelo público. Neste caso, alertamos o cliente para que entenda que a responsabilidade está na decisão dele, e que o seu “gosto” não é o factor mais importante para o sucesso da marca, produto ou serviço.




7 – REGISTO LEGAL

Este será o ultimo passo a realizar caso o nome esteja aprovado pelo cliente e esteja disponível para registo legal. A ideia é dar à entidade de registo três opções de nome por ordem preferencial, caso o primeiro não esteja disponível, automaticamente ficará o segundo nome e assim sucessivamente.

Caso nenhum dos três nomes selecionados estejam disponíveis, retrocedemos ao ponto 5 e tentamos recorrer às outras restantes opções votadas hierarquicamente pelo público-alvo nos inquéritos/testes. (PLANO DE CONTINGÊNCIA)

Poderá registar o seu projeto no INPI - Instituto Nacional da propriedade industrial

Boa Sorte!

Espero que vos tenha ajudado a ter uma ideia de todo este trabalhoso e complexo processo que é criar um nome. Já sabem que a criatividade é fundamental, mas se podermos aliar a sorte…será sempre uma mais-valia!



criado a 02 de Fev 2019



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Autor: Mauro Gaspar

Licenciado em Design de Comunicação e Mestrando em Design e Cultura Visual, passa os dias dividido entre o ensino universitário, ensino secundário e os projetos do seu estúdio de Design e Comunicação - napron love - thinking designers - que fundou no ano de 2008 em Lisboa.

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